Era fim de tarde quando o vento soprou, sereno.
Deixou na minha varanda o sorriso mais bonito e partiu.
Ele me olhou, e era leve como o pólen que transporta a semente num movimento sinuoso.
Eu senti a paz transpassar o meu corpo e atingir minha alma, e então, também a leveza tomou
conta do meu ser.
A dança conduzia nossos corpos em passos sincronizados.
A vontade crescia...
O vento voltou! Levou consigo o que eu já chamava de meu sorriso.
Senhor vento, por que me levas o que o senhor mesmo me destes?
Com tamanha serenidade o vento me respondeu:
Há coisas que são dadas para fechar lacunas que a vida, muitas vezes, carrega.
Eu não entendo isso, senhor vento. Como vai fechar a lacuna se o senhor está levando-o embora?
Ah minha filha... essas coisas deixam marcas, e essas marcas são indeléveis.
