Luas de Prata
quinta-feira, 22 de outubro de 2015
A dor de uma alma
O sol se abre.
A luminosidade chega a incomodar.
Fecho as cortinas.
A flor, lá fora, desabrocha.
Aqui dentro, a solidão aflora.
Quero ficar a sós com a minha dor.
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015
Luiza - GRATIDÃO
Luiza estava sentada no sofá apreciando a vista que se mostrava ao abrir a porta de sua varanda.
Niño te fazia companhia. Era assim como Luiza chamava o seu pequeno cãozinho. Niño era um cachorro da raça buldogue francês e ela o comprara havia dois meses. O encontro se resume àquele velho clichê: "os olhos dele que encontraram os dela."
Enquanto admirava a paisagem, Luiza agradecia a Deus o quanto conseguira alcançar em seu caminho.
Agradecia, emocionada, por poder vislumbrar o azul do céu e o reluzir do sol.
Senhor, tu esteves comigo durante todo o meu caminhar. Esteve ao meu lado em minha dor e mesmo quando eu caía, era a sua mão quem me levantava.
Curou todas as minhas feridas e quando eu achei que não mais conseguiria, tua voz soprou em meu ouvido: "Você consegue. Você é forte. Eu estou contigo."
O Senhor me devolveu a vida.
A Ti todo o meu amor e devoção.
Luiza enxergava o colorido da vida. Sabia que havia momentos cinzas, mas eles não mais a definiam.
Sentira a brisa beijar seu rosto e teve certeza, naquele momento, que era o toque suave de Deus.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2015
O Mar
Hoje eu queria ver o mar e deixar que a sua calmaria invadisse o meu ser.
Queria que suas águas corressem pelas ruelas obstruídas do meu organismo, e levasse com ele, todo o motivo da obstrução.
Queria que a sua correnteza arrebatasse-me com tamanha força, capaz de arrancar todas essas coisas do lugar.
Queria que o mar levasse-me em sua eterna mansidão, e ao trazer-me, devolvesse-me com a mais pura leveza.
sexta-feira, 23 de janeiro de 2015
INTEIRAMENTE LUIZA
Luiza sentia-se segura. Era o que pensava enquanto olhava as estrelas na varanda de sua casa.
O dia havia sido bastante agitado naquela segunda-feira.
Levantou-se às pressas quando escutou barulhos vindos da cozinha. João estava tentando fazer um café da manhã decente e ela estava com muita fome.
Bom dia amor.
Ah! Oi bela adormecida. Achei que ficaria um pouco mais na cama hoje. Falou João enquanto a beijava.
Eu não ouvi o despertador. Sua tentativa de café da manhã foi que me acordou. Sorriu.
Luiza foi à galeria para organizar os últimos preparativos da sua primeira exposição.
Trabalhara duro durante meses e passara várias noites em claro mesclando cores e experimentando telas para saber qual encaixava-se melhor em sua pintura.
A mente de Luiza borbulhava em ideias, as quais conduziam suas mãos numa dança quase que poética com o pincel. E então a coreografia surgia. Tela pronta.
Entrega de muito sentimento.
Despediu-se de sua equipe e foi pra casa arrumar-se. A exposição seria às 20h. Ela estava deslumbrante, mas não só porque estava bem arrumada, e sim porque emanava uma alegria que vinha de dentro e fazia com que todos a sua volta não tirassem os olhos dela.
Estonteante caía-lhe bem.
Ele, ali, bem ao lado dela, derramando todo o seu amor e admiração.
A exposição fora um acontecimento naquela segunda-feira. As pessoas estavam encantadas.
E ao final daquela noite, enquanto Luiza olhava as estrelas, sentiu dois braços abraçar seu corpo e uma voz sussurrar em seu ouvido: Eu te amo!
Estou muito segura!
Deus nunca a esquecera.
quinta-feira, 27 de novembro de 2014
Coisas que marcam
Era fim de tarde quando o vento soprou, sereno.
Deixou na minha varanda o sorriso mais bonito e partiu.
Ele me olhou, e era leve como o pólen que transporta a semente num movimento sinuoso.
Eu senti a paz transpassar o meu corpo e atingir minha alma, e então, também a leveza tomou
conta do meu ser.
A dança conduzia nossos corpos em passos sincronizados.
A vontade crescia...
O vento voltou! Levou consigo o que eu já chamava de meu sorriso.
Senhor vento, por que me levas o que o senhor mesmo me destes?
Com tamanha serenidade o vento me respondeu:
Há coisas que são dadas para fechar lacunas que a vida, muitas vezes, carrega.
Eu não entendo isso, senhor vento. Como vai fechar a lacuna se o senhor está levando-o embora?
Ah minha filha... essas coisas deixam marcas, e essas marcas são indeléveis.
sexta-feira, 19 de setembro de 2014
Luiza - A LUA E SEUS ENCANTOS
Absorta, Luiza observava a lua e ouvia o rebentar das ondas. Sentia seus pés serem inundados pelo imenso abraço do mar e foi quando sentiu seu corpo envolto num calor humano que lhe parecia bem peculiar.
João.
Era noite de luau e a praia estava lotada. Todo último sábado do mês vários grupos se reuniam na praia para jogar conversa fora, tocar violão e essas tantas coisas que são inerentes a um luau.
João e Luiza adoravam o mar e toda essa leveza que a o ambiente proporcionava, E lá estavam eles.
Fogueiras, muitas risadas e no meio dessa agitação Luiza se afastou um pouco do grupo e foi apreciar a lua.
Tempos depois João foi ao seu encontro.
Está pensando em quê?
Em nós. Luiza o beijou.
Ah é! João soltou o sorriso mais bobo. Me fala desses pensamentos.
Estou pensando em como é bom ter alguém pra amar, alguém em que eu possa recostar minha cabeça, alguém que me arranque sorrisos.
Ela olhou para João e percebeu o sorriso mais lindo que ela já tinha visto.
Eu te amo minha princesa.
Era a resposta mais completa.
terça-feira, 12 de agosto de 2014
Luiza - UMA DESCOBERTA
"A minha história começa agora."
Ao afirmar isso, muita gente pode se perguntar como isso é possível se já habito esse planeta há
alguns anos. Então seria natural pensar que a minha história começou quando eu nasci. No entanto, pode-se dizer que fugi à regra."
Luiza escrevia o texto enquanto pensava em seu próximo trabalho. O texto seria retratado em uma de sua pinturas e era necessário, pra Luiza, que a pintura falasse por si só. Queria um quadro vivo.
Largou o lápis. O texto estava pronto. Ela agora tinha que descobrir como colocá-lo numa tela.
Pôs a tela em sua frente e alguns poucos rabiscos surgiram, mas nada do que ela queria. Pensava! O olhar fixo na tela ainda sem vida.
Levantou e foi até a cozinha pra preparar um café. Colocou a chaleira no fogo e enquanto esperava a água ferver, encostada na bancada da cozinha, um filme de sua vida rodava em sua mente.
Lembrou-se da infância marcada pela dor da ausência de seus pais. Dor essa que o tempo aplacou, mas não se apagou.
Momentos seguidos de turbilhões emocionais, onde procurava conhecer a si mesma enquanto amadurecia. E, nesses momentos, a dor dessa ausência ficava mais aguda.
Ao lembrar disso, Luiza deixou escorrer em seu rosto uma lágrima. Algo, então, lhe sorriu à mente. João!
Lembrou daqueles olhos carregados de compreensão que a fazia pensar que ele conhecia cada pedaço de sua alma e de quanto o amor que ele a entregava a mantinha segura e aquecida.
Ele era o seu ninho.
João foi uma das melhores surpresas que a vida trouxe ao seu encontro. Contudo, a melhor surpresa foi a de se descobrir sem nenhuma amarra e ter a certeza de que podia voar.
O apito da chaleira a despertou da consciente viagem. Voltou pra tela com uma xícara de café na mão, e agora, sabia exatamente como terminar o que começou.
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