quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Coisas que marcam


















Era fim de tarde quando o vento soprou, sereno.
Deixou na minha varanda o sorriso mais bonito e partiu.

Ele me olhou, e era leve como o pólen que transporta a semente num movimento sinuoso.
Eu senti a paz transpassar o meu corpo e atingir minha alma, e então, também a leveza tomou
conta do meu ser.

A dança conduzia nossos corpos em passos sincronizados.
A vontade crescia...

O vento voltou! Levou consigo o que eu já chamava de meu sorriso.

Senhor vento, por que me levas o que o senhor mesmo me destes?

Com tamanha serenidade o vento me respondeu:

Há coisas que são dadas para fechar lacunas que a vida, muitas vezes, carrega.

Eu não entendo isso, senhor vento. Como vai fechar a lacuna se o senhor está levando-o embora?

Ah minha filha... essas coisas deixam marcas, e essas marcas são indeléveis.



























sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Luiza - A LUA E SEUS ENCANTOS




















Absorta, Luiza observava a lua e ouvia o rebentar das ondas. Sentia seus pés serem inundados pelo imenso abraço do mar e foi quando sentiu seu corpo envolto num calor humano que lhe parecia bem peculiar.

João.

Era noite de luau e a praia estava lotada. Todo último sábado do mês vários grupos se reuniam na praia para jogar conversa fora, tocar violão e essas tantas coisas que são inerentes a um luau.
João e Luiza adoravam o mar e toda essa leveza que a o ambiente proporcionava, E lá estavam eles.

Fogueiras, muitas risadas e no meio dessa agitação Luiza se afastou um pouco do grupo e foi apreciar a lua.

Tempos depois João foi ao seu encontro.

Está pensando em quê?

Em nós.  Luiza o beijou.

Ah é! João soltou o sorriso mais bobo. Me fala desses pensamentos.

Estou pensando em como é bom ter alguém pra amar, alguém em que eu possa recostar minha cabeça, alguém que me arranque sorrisos.

Ela olhou para João e percebeu o sorriso mais lindo que ela já tinha visto.

Eu te amo minha princesa.

Era a resposta mais completa.


terça-feira, 12 de agosto de 2014

Luiza - UMA DESCOBERTA


















"A minha história começa agora."
Ao afirmar isso, muita gente pode se perguntar como isso é possível se já habito esse planeta há
alguns anos. Então seria natural pensar que a minha história começou quando eu nasci. No entanto, pode-se dizer que fugi à regra."

Luiza escrevia o texto enquanto pensava em seu próximo trabalho. O texto seria retratado em uma de sua pinturas e era necessário, pra Luiza, que a pintura falasse por si só. Queria um quadro vivo.

Largou o lápis. O texto estava pronto. Ela agora tinha que descobrir como colocá-lo numa tela.

Pôs a tela em sua frente e alguns poucos rabiscos surgiram, mas nada do que ela queria. Pensava! O olhar fixo na tela ainda sem vida.
Levantou e foi até a cozinha pra preparar um café. Colocou a chaleira no fogo e enquanto esperava a água ferver, encostada na bancada da cozinha, um filme de sua vida rodava em sua mente.

Lembrou-se da infância marcada pela dor da ausência de seus pais. Dor essa que o tempo aplacou, mas não se apagou.
Momentos seguidos de turbilhões emocionais, onde procurava conhecer a si mesma enquanto amadurecia. E, nesses momentos, a dor dessa ausência ficava mais aguda.

Ao lembrar disso, Luiza deixou escorrer em seu rosto uma lágrima. Algo, então, lhe sorriu à mente. João!

Lembrou daqueles olhos carregados de compreensão que a fazia pensar que ele conhecia cada pedaço de sua alma e de quanto o amor que ele a entregava a mantinha segura e aquecida.

Ele era o seu ninho.

João foi uma das melhores surpresas que a vida trouxe ao seu encontro. Contudo, a melhor surpresa foi a de se descobrir sem nenhuma amarra e ter a certeza de que podia voar.

O apito da chaleira a despertou da consciente viagem. Voltou pra tela com uma xícara de café na mão, e agora, sabia exatamente como terminar o que começou.






sexta-feira, 18 de julho de 2014

Só você

















O vento traz as lembranças de tudo o que um dia nós vivemos. São lembranças possuidoras de tal vivacidade que, ao fechar meus olhos, eu consigo sentir seu toque.
Isso me faz acreditar que elas nunca saíram de mim. Talvez guardadas em alguma parte profunda da minha alma, onde o cotidiano não deixava que eu as ouvisse.
Mas sempre estiveram mim.
Ganharam vida, e então, com a ajuda do vento, elas se propagaram depressa. Nitidamente.
Todo dia eu vivo algum momento nosso.
Basta eu fechar os meus olhos pra visualizar seu sorriso e sentir a minha boca retribuir.
Basta isso pra eu reviver o momento em que te acordei com um beijo e ali permanecemos, nos olhando.
E no seu olhar o "eu te amo" mais intenso. Era a resposta ao meu "eu te amo" mais sincero.
Consigo ouvir as músicas que embalaram o nosso amor. Cada trecho canta o que vivemos juntos.
E com essas lembranças, o meu corpo revive nós dois.
Você, meu bem, faz morada em mim.





sábado, 5 de julho de 2014

Clímax




















Eu o vi.
Estava bem à minha frente.
Seu corpo nu.
O observei por um segundo.
Prestava atenção em cada detalhe.
Meu olhar se deliciava em cada traço forte e viril.

Me imaginava entrelaçada àqueles braços, sentindo o calor das suas mãos em mim.
O beijo quente e lento pra sentir todo o sabor.

Ali parada, observando
O corpo se rendeu ao prazer.
O gozo!





sexta-feira, 30 de maio de 2014

Luiza - ACONCHEGO



















Ali, na cama, João a observava. Ele a olhava com delicadeza. Havia amor em seus olhos.
João percorria, com o seu olhar, todos os contornos de Luiza, sem deixar passar um único detalhe. Notou que em ambos os braços, ela tinha uma mancha, porém com texturas diferentes.
E ali imaginou a história dessas manchas.
O que havia causado essas manchas, se Luiza as tinha desde que nasceu e se perguntou se Luiza gostava delas.
Começou então a tocá-la devagar, com bastante suavidade - não queira acordá-la -, fazendo com as mãos o mesmo trajeto que fizera com o olhar.
João queria sentir Luiza.
Enquanto suas mãos passeavam, João percebia as curvas daquele corpo que estava colado ao seu.
Gostou de sentir o quanto aquela pele era macia.
Luiza não se mexia. Totalmente entregue ao gozo de um sono profundo.
Era gostoso o calor que emanava do corpo dela e João a mantinha bem perto.
João sentia o odor que exalava daquele corpo.
Tinha uma fragrância tenra, como a de uma menina.
João ficou horas admirando aquela imagem, dizendo a si mesmo que jamais permitiria que a alguém a machucasse.
Naquele momento, ele se deu conta de que era amor.
Ele a amava!
João a beijou e adormeceu com Luiza em seus braços.




terça-feira, 6 de maio de 2014

Freedom


















Amo a liberdade como a mim mesma. Assim espero.

Talvez eu ame mais a liberdade e seja isso natural.

Porque é, afinal, o meu mais intenso gozo.

Amo a liberdade mais profunda. Aquela que me permite o deleite de ser eu mesma. A que me concede respirar.

Não me permito as amarras. Elas são insidiosas.

Agem como os venenos, circulando por todo o corpo e então sufocam a última gota de expressão.

A morte é agonizante.

Vivo a liberdade do ser, do querer e do se entregar.

Sem restrições. Essas só servem pra colaborar com qualquer intenção de sabotar o ser humano.

A liberdade é mergulhar em si próprio e conhecer aonde os caminhos levam.

É se permitir hoje, agora e sem culpa.

A liberdade é a natureza.

E eu vivo o meu mais intenso gozo.




quarta-feira, 23 de abril de 2014

Luiza - ÚTERO




















As horas passavam e Luiza permanecia parada. O céu era o que os seus olhos fitavam. Azul, e vazio. Sua mente também se encontrava assim. Vazia! Eram tantos pensamentos transitando que chegavam a um impasse e entravam em transe. Ficavam mudos. Luiza, absorta.

Um barulho na cozinha a trouxe de volta. Era João preparando algo pra comer.


Bom dia João.



Bom dia princesa, disse dando-lhe um beijo na testa. Dormiu bem?



Sim. O choro é um ótimo sonífero.


João sorriu. Luiza e João se conheceram em uma exposição. Dele.

Ela admirava o trabalho dele e nem hesitou ao ler um folheto informando sobre a exposição. Luiza olhava os quadros com um entusiasmo peculiar quando percebeu alguém se aproximar.


Gostou?



Muito. Esse quadro me faz pensar que por mais que ansiemos por independência, no fundo sempre buscamos algo como um útero. Carinho, proteção.


João ficou maravilhado com a perspicácia de Luiza, pois era exatamente o que pensava quando pintava o quadro.


Tem certeza de que não nos encontramos numa dessas noites de bebedeiras e eu te falei sobre o meu valioso segredo?!, brincou João.



Posso garantir que hoje é o nosso primeiro encontro. Luiza soltou um belo sorriso.


Se olharam, e nesse momento souberam que algo aconteceu.


Depois do ocorrido no ateliê, João levou Luiza pra casa. Ali, ele foi seu útero. Sempre fora seu útero. E ela soube disso no exato momento em que se enxergou nos olhos de João.



segunda-feira, 7 de abril de 2014

Pra longe
























Eu errei. Eu sei

Você passou despercebido

Nem me dei ao trabalho de te enxergar

Meus olhos só viam o seu contorno

O meu coração dormia

A estrada seguiu e no final eu me dei conta de que os meus olhos estavam sujos

Agora, limpos, te enxergo e meu coração, acordado, pede seu afago

Mas já é tarde

A estrada te levou pra longe de mim





sábado, 29 de março de 2014

Luiza

























 A noite foi longa pra Luiza. Às 5:30 da manhã o alarme toca. Já está programado para os dez minutos de  soneca. São valiosos pra Luiza e, além do mais, o seu organismo já responde a isso.

Toma um banho gelado pra despertar. Precisa lavar a cara de ontem. Enquanto coloca a roupa, ela sente o quanto está exausta. Os ombros doem. É como se carregassem toneladas.Tem vontade de se jogar na cama e permanecer debaixo das cobertas.

Na cozinha o cheiro de café está forte. O bule ainda permanece no fogão. Se deu conta de quantas xícaras bebeu, pois quase não existia resquício do pó. Tudo bem, pensou. Já não aguentava mais café. Fez uma vitamina e depois bateu a porta.

Luiza chegou no ateliê por volta das 8h. A fome apertara e então parou numa padaria que ficava no caminho. Fora a primeira a chegar no ateliê. Achou bom. Os minutos a sós eram quistos por Luiza. Ela gostava disso.

Pegou uma tela. As pinceladas eram bem confusas. Os traços não faziam movimentos perfeitos. As cores não conversavam. Era assim que ela se encontrava.

Se deu conta de que o quadro era o seu retrato.

Luiza se encontrava num emaranhado. Uma mistura de sensações que a deixavam vulnerável. Luiza tinha medo, pois sabia onde isso poderia levá-la. Continuou pintando e uma angústia grande foi crescendo dentro dela, como uma bola sendo inflada. Não aguentou. A dor tomou forma. Luiza chorava desordenadamente. Tinha muita dor.

Quem eu sou? Se perguntava.

As lágrimas borravam o quadro. Luiza sentiu alguém a envolvendo. Aninhou-se nesses braços e ali permaneceu. Sedenta de carinho e proteção.





terça-feira, 18 de março de 2014

Luiza



















Eu tinha tudo pra dar errado. E dei, pensou Luiza sentada na cadeira, enquanto olhava o tempo passar sem a bondade de um pit stop.

Estava na varanda, xícara na mão. Fizera um café pra se manter aquecida naquela noite chuvosa.Tinha tido um dia difícil.

Saíra pela manhã pra cumprir seus deveres de estudante e à tarde fora resolver algumas coisas. Andou até chegar a um de seus destinos. Precisava comprar um novo pen-drive, pois tinha emprestado o antigo pra uma amiga e nunca mais viu o objeto. Luiza se irritava com essas coisas, mas resolveu deixar pra lá.

A loja estava lotada, mas por algum motivo ganhou a graça do atendente e logo estava com o pen-drive em mãos. Ainda tinha que passar em mais um lugar, e da loja partiu com pressa.

Luiza gostava de arte e se apaixonou pelas pinturas. Pintava com frequência e suas pinturas retratavam seus sentimentos. Tinham personalidade. Seu amigo, Heitor, era dono de uma galeria e sabia dessa veia artística de Luiza - isso ela não sabia muito de onde vinha. Já ouvira falar em alguma ocasião de família que seus pais tinham dons artísticos, mas não sabia muita coisa. Luiza perdera os pais muito nova e fora criada por parentes distantes. Os únicos que a aceitaram.

Heitor pediu que ela fosse em sua galeria com o portfólio. Estava interessado em expor os quadros, e ela ficou muito animada. A galeria então seria o segundo destino de Luiza.

No caminho, ela pensava em como se sentiria feliz na sua primeira exposição e em como isso impulsionaria sua carreira. Estava excitada. Ao chegar, foi recebida por Heitor e por seu sócio. Luiza estava exausta da caminhada. O sol a deixara enfadada.

Suas pinturas têm muita vida, disse Heitor. E conseguem ser profundas, completou.

Luiza, agradecida, sorriu. Mas, percebeu que a feição do sócio de Heitor não mostrava nenhuma alteração enquanto folheavam o material.

São bonitas, porém imaturasNão precisamos disso, falou João rispidamente. Era o sócio.

Luiza murchou. A voz faltou naquele momento. Olhou pra Heitor e percebeu tristeza nele também. Mas a sua era maior. Transbordava. Heitor não pôde fazer nada, pois João era o sócio majoritário.

Luiza caminhava em direção ao ponto de ônibus desolada. Sentia que não fazia parte do mundo. Ela não tinha sentido.

Chegou em casa e tomou um banho. Seus pés doíam muito. Ela não conseguia pensar em nada mais. A tristeza se apoderara do seu ser.

Colocou a água no fogão e foi pro quarto vestir algo confortável. Queria ficar quieta, e sozinha.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Amantes











Sinto falta das suas mãos em meu corpo
Que em deleite sentia o seu carinho quando o despia
Fecho os olhos e vejo o seu sorriso ao longe quando nossos olhares se encontravam
Em meu ouvido sinto o ar quente que sai da sua boca quando diz EU TE AMO
E meu corpo absorve essa frase deixando que cada palavra penetre em minhas entranhas
Nesse momento seus lábios procuram os meus e os encontram sedentos do seu sabor
Meu corpo estremece e deseja o seu
Então me entrego a você como uma menina ansiosa quando em sua primeira noite de amor
Sei que estou segura com você
É o seu amor a minha segurança
Sinto ele emanar de ti quando me toca ou quando sorri
Sinto-o quando me vejo no reflexo dos teus olhos
Cada pedaço de mim sente sua falta de um modo peculiar
Meu corpo chama por você, mas vai muito além, pois o seu amor alimenta minha alma
Os dias se passam e eu, ...

Eu sinto a sua falta.



O começo




























O amor se alimenta da poesia.
Desfila em cada estrofe até beber de toda a sutileza contida nelas.
Caminha com certa calma pra poder sentir a textura tocar-te delicadamente.
Enquanto vagueia, absorve a fragrância exalada dos mais belos versos.
E então ele surge pronto pra se entregar.
Surge capaz de correr qualquer risco.
Vai ao encontro do destino... o coração!
Pronto pra amar e ser amado.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Minhas lembranças


Hoje eu quero ficar quieta e esperar que o vento traga as nossas lembranças.

Quero lembrar seu rosto e tocá-lo para sentir o desenho dele novamente.

Preciso que meus pensamentos desacelerem e esvaziem minha mente para que só exista você.

E quando fecho meus olhos é como se eu o sentisse tocar meu coração.

Misto de dor e angústia.

O corre-corre muitas vezes suga-me as suas lembranças. E talvez isso seja um subterfúgio.

Só que tenho medo de te perder com o tempo.

Quero só fechar meus olhos.

Vai, segura a minha mão. Tenho muitas coisas pra te contar. Vamos caminhar.

Promete pai, não me largar mais assim.





























quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Absorta





















Hoje quero deixar a água do chuveiro cair enquanto penteio o meu cabelo.
Hoje quero sentir a água tocar meu corpo enquanto meus pensamentos vagueiam.
Hoje quero ouvir aquela música que me faz bem enquanto a água escorre, e deixar que a melodia penetre minha alma.
Hoje quero deixar que a minha mente passeie sem destino enquanto sinto a minha mão passar suavemente pelos meus cabelos.
Hoje quero me permitir estar só e sentir cada sensação.
Hoje quero um momento meu.
Debaixo do chuveiro.