A noite foi longa pra Luiza. Às 5:30 da manhã o alarme toca. Já está programado para os dez minutos de soneca. São valiosos pra Luiza e, além do mais, o seu organismo já responde a isso.
Toma um banho gelado pra despertar. Precisa lavar a cara de ontem. Enquanto coloca a roupa, ela sente o quanto está exausta. Os ombros doem. É como se carregassem toneladas.Tem vontade de se jogar na cama e permanecer debaixo das cobertas.
Na cozinha o cheiro de café está forte. O bule ainda permanece no fogão. Se deu conta de quantas xícaras bebeu, pois quase não existia resquício do pó. Tudo bem, pensou. Já não aguentava mais café. Fez uma vitamina e depois bateu a porta.
Luiza chegou no ateliê por volta das 8h. A fome apertara e então parou numa padaria que ficava no caminho. Fora a primeira a chegar no ateliê. Achou bom. Os minutos a sós eram quistos por Luiza. Ela gostava disso.
Pegou uma tela. As pinceladas eram bem confusas. Os traços não faziam movimentos perfeitos. As cores não conversavam. Era assim que ela se encontrava.
Se deu conta de que o quadro era o seu retrato.
Luiza se encontrava num emaranhado. Uma mistura de sensações que a deixavam vulnerável. Luiza tinha medo, pois sabia onde isso poderia levá-la. Continuou pintando e uma angústia grande foi crescendo dentro dela, como uma bola sendo inflada. Não aguentou. A dor tomou forma. Luiza chorava desordenadamente. Tinha muita dor.
Quem eu sou? Se perguntava.
As lágrimas borravam o quadro. Luiza sentiu alguém a envolvendo. Aninhou-se nesses braços e ali permaneceu. Sedenta de carinho e proteção.

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