quarta-feira, 23 de abril de 2014

Luiza - ÚTERO




















As horas passavam e Luiza permanecia parada. O céu era o que os seus olhos fitavam. Azul, e vazio. Sua mente também se encontrava assim. Vazia! Eram tantos pensamentos transitando que chegavam a um impasse e entravam em transe. Ficavam mudos. Luiza, absorta.

Um barulho na cozinha a trouxe de volta. Era João preparando algo pra comer.


Bom dia João.



Bom dia princesa, disse dando-lhe um beijo na testa. Dormiu bem?



Sim. O choro é um ótimo sonífero.


João sorriu. Luiza e João se conheceram em uma exposição. Dele.

Ela admirava o trabalho dele e nem hesitou ao ler um folheto informando sobre a exposição. Luiza olhava os quadros com um entusiasmo peculiar quando percebeu alguém se aproximar.


Gostou?



Muito. Esse quadro me faz pensar que por mais que ansiemos por independência, no fundo sempre buscamos algo como um útero. Carinho, proteção.


João ficou maravilhado com a perspicácia de Luiza, pois era exatamente o que pensava quando pintava o quadro.


Tem certeza de que não nos encontramos numa dessas noites de bebedeiras e eu te falei sobre o meu valioso segredo?!, brincou João.



Posso garantir que hoje é o nosso primeiro encontro. Luiza soltou um belo sorriso.


Se olharam, e nesse momento souberam que algo aconteceu.


Depois do ocorrido no ateliê, João levou Luiza pra casa. Ali, ele foi seu útero. Sempre fora seu útero. E ela soube disso no exato momento em que se enxergou nos olhos de João.



4 comentários: